segunda-feira, janeiro 31, 2005

histórias de bruxas

A minha afilhada, com a sabedoria que só temos aos três anos e meio, gosta de bruxas. Gosta de histórias de bruxas e gosta do medo que tem ao ouvi-las.
Este Carnaval, disse-me ela ontem, vai vestir-se de fada madrinha má.

Eu, na ignorância que só temos depois de perdermos a sabedoria da infância, tive alguma dificuldade em compreender o gosto dela pelas bruxas ou pelas fadas madrinhas más (tive ainda mais dificuldade em encontrar uma boneca/bruxa para lhe oferecer, porque bruxas, disseram-me, não são brinquedos para meninas daquela idade).

Tentei, por diversas vezes, nas histórias que conto à minha afilhada, que as bruxas más se convertessem à bondade e houvesse um final feliz. Mas ela não gosta particularmente de finais felizes.

Vem isto a propósito de uma conversa que tive um destes dias (a despropósito como todas as boas conversas) sobre a maldade.

Quando perdemos a sabedoria da inocência, temos muita dificuldade em assumir a nossa propensão pela maldade. Com a maldade posso eu bem, a minha questão é mesmo com a mesquinhez, esse sentimento que é obstáculo aos finais felizes.

Outra sabedoria, a que chega depois dos oitenta, tentou um dia explicar-me que o mundo, ao contrário daquilo que eu pensava, não estava dividido entre "os bons" e "os maus".

Levei mais de duas décadas a compreendê-lo mas ainda estou a tentar encontrar o ponto de equilíbrio entre os extremos.

CA

1 Comments:

At 3:28 da tarde, Anonymous Anónimo said...

PONHA HISTORIAS DE VERDADE

 

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