welcome
os descontextos dão as boas-vindas ao novo

semmalicia@hotmail.com
O nosso conterrâneo, António Damásio foi galardoado com o Prémio Príncipe das Astúrias. Não percebo muito da coisa, mas é merecido!
Kobo Abe
CA

Por ela e pelas suas batalhas, fica o registo

hoje apetecia-me
O fim-de-semana foi profícuo na descoberta de variações do velho adágio "os amigos são para as ocasiões".
Celebrou-se em Portugal, no passado dia 14, o 3° Dia Nacional de Luta Contra a Dor.
O nosso país, pioneiro nestas coisas de celebrar as dores que tem, chegou mesmo ao requinte de organizar o Congresso da Dor.
Nem que de propósito nesse mesmo dia estive à conversa com uma cidadã, não portuguesa, que sofre de enxaquecas crónicas. Consciente que a maleita a vai acompanhar o resto da vida, passado o período de desespero que o diagnóstico da doença implicou, resolveu avaliar quais as vantagens que a dor crónica poderia trazer à sua vida quotidiana.
Ou seja, ao contrário de muitos, teve a capacidade inverter uma situação negativa e retirar dela as mais-valias possíveis. Por exemplo, quando recebe ordem de execução de uma qualquer tarefa que não lhe agrada particularmente pede a que a ordem seja repetida diversas vezes, alegando que a dor de cabeça lhe reduz a capacidade de compreensão, tantas vezes quantas sejam necessárias a que a tarefa seja dada a outrem.
Esperteza saloia? Talvez.
O certo é que ninguém a trata como "coitadinha" e continua a ser uma pessoa que não inspira sentimentos de "piedadezinha".
Será que no Congresso da Dor em Portugal se deram dicas aos participantes em como beneficiar das dores existentes?
É que sendo os portugueses internacionalmente reputados pela sua capacidade de "desenrascanço" seria lamentável sermos ultrapassados no domínio da "utilização da dor em proveito próprio".
CA
PS1. Com a ressalva de quaisquer tendências sado-maso, tenho um profundo respeito pelas dores alheias e um profundo desagrado perante as minhas.
PS2. Este post nada tem a ver com o recurso a sacos de laranjas ou listas telefónicas para evitar marcas corporais pós-conflito.

Nos últimos tempos optei, entre vários outros, por um blogosilêncio.
Não tenho nada para escrever. Só isso. Não me tem apetecido.
Talvez porque Junho se tem revelado um mês de ausências e de despedidas. Ou talvez exactamente pelas razões contrárias.
E quando não apetece não há volta a dar, não é? Esta é daquelas coisas que não se fazem por obrigação.
Eu não morria de amores por ele. Eles, se calhar, também não.
a repetição de posts em sua memória
Se houver alguém por aí que tenha contactos na RTP, ajude-me!
Tengo el corazón pesado


Títulos da página Portugal na edição electrónica do CM de hoje:
JB
entre ter uma nódoa e ser uma nódoa o melhor mesmo é evitar o traumatismo craniano
CA
Um dia pintou o cabelo de azul. Como não gostava da Vanda Stuart resolveu pintar também a cara, de amarelo. Sempre tinha gostado dos Simpsons.
Gostava mesmo muito de pintar.
Mas a sua pintura não tinha palavras. E as palavras eram urgentes. E ninguém reconhece urgência em quem tem o cabelo azul e a cara amarela.
Concentrou-se então apenas nas palavras. Mediu-lhes a métrica, uma a uma. Separou as sílabas, misturou-as. Baralhou-as e ouviu o som das palavras. O som das palavras fazia estremecer o cabelo azul. Voltou a baralhar as palavras e compreendeu, finalmente, que já não tinha nada para dizer.
CA
Talvez a ternura