terça-feira, junho 28, 2005

welcome

os descontextos dão as boas-vindas ao novo

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CA

a revolta dos electrodomésticos

Depois do secador de cabelo ter explodido two times in a row já decidi: máquina zero um destes dias;

Depois do blogger se divertir a devorar posts em vez de os publicar ou publicá-los antes de estarem prontos já decidi: greve ao blog;

Depois do frigorífico se ter recusado a trabalhar e a substituição demorar uma semana decidi: passo a jantar fora todos os dias;

Agora é a vez do outlook perder acesso ao servidor. A decisão que se avizinha: greve de zelo. É isso ou vou fazer companhia à menina dos correios que adoptou como passatempo queimar incenso pelos corredores.

CA

sábado, junho 25, 2005

Pura diversão

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JB

quarta-feira, junho 22, 2005

neurologista de sucesso

O nosso conterrâneo, António Damásio foi galardoado com o Prémio Príncipe das Astúrias. Não percebo muito da coisa, mas é merecido!
JB

janelas

"What were you looking at?"

"A window."

"No, no. I mean what were you looking at through the window?"

"Windows... lots of windows. One by one the lights are going off. That's the only instant you really know somebody's there."

Kobo Abe
The Ruined Map, 1967

CA

terça-feira, junho 21, 2005

21.06

Hoje, precisamente no dia em faz 6 anos que terminei o curso, recebi por correio a informação que o meu diploma está pronto. Extemporâneo? Não! Apurado por meses e meses à espera de um selo branco!
JB

De Beauvoir

Conhecendo um bocadinho o percurso de ambos, não deixa de ter a sua graça que se consiga falar dele sem falar dela e que o inverso não se verifique.

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Por ela e pelas suas batalhas, fica o registo

The fact that we are human beings is infinitely more important than all the peculiarities that distinguish human beings from one another
Simone De Beauvoir
The Second Sex

CA

Sartre

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Comemora-se hoje o centenário do nascimento de um dos mais emblemáticos filósofos da segunda metade do século XX. Grande impulsionador da corrente do existencialismo foi, simultaneamente, dramaturgo, novelista e jornalista político. Aqui fica a lembrança.
JB
Je ne suis à l'aise que dans la liberté,
échappant aux objets, échappant à moi-même,...
Je suis un vrai néant ivre d'orgueil et translucide...
Aussi est-ce le monde que je veux posséder.

Jean Paul Sartre


Le jardinier peut décider de ce qui convient aux carottes,
mais nul ne peut choisir le bien des autres à leur place.
Jean Paul Sartre

segunda-feira, junho 20, 2005

Ambrósio #6

hoje apetecia-me

pura e simplesmente ar condicionado a funcionar

é que tou que nem posso

CA

constatações

O fim-de-semana foi profícuo na descoberta de variações do velho adágio "os amigos são para as ocasiões".

- Há aqueles que nos consideram amigos só naquela ocasião, ie, quando precisam de nós;

- Há amigos de ocasião;quando se proporciona o convívio até são agradáveis no trato;

- Há ocasiões que proporcionam amigos;

O que vale é que em três, só uma é que é para deitar para o caixote das experiências tristes.

JB

sexta-feira, junho 17, 2005

Arrastão ou ilusão de uma tarde de Verão?

"Banhistas, polícia e jovens presos há uma semana em Carcavelos garantem que o «arrastão» do passado 10 de Junho, afinal, nunca existiu. Todos confirmam que existiram assaltos pontuais no areal, apesar de não existir uma única queixa de roubo na PSP. "
in Jornal A Capital, 17.06.2005

Talvez não tenha sido a quantidade mas sim o valor dos objectos roubados que causou o alarido... afinal de contas, sempre houve um "piqueno" qualquer do pseudo jet set português que se queixou do roubo de uns óculos de sol Armani e de uma carteira Louis Vuitton!!

JB

quinta-feira, junho 16, 2005

dores crónicas

Celebrou-se em Portugal, no passado dia 14, o 3° Dia Nacional de Luta Contra a Dor.
O nosso país, pioneiro nestas coisas de celebrar as dores que tem, chegou mesmo ao requinte de organizar o Congresso da Dor.

Nem que de propósito nesse mesmo dia estive à conversa com uma cidadã, não portuguesa, que sofre de enxaquecas crónicas. Consciente que a maleita a vai acompanhar o resto da vida, passado o período de desespero que o diagnóstico da doença implicou, resolveu avaliar quais as vantagens que a dor crónica poderia trazer à sua vida quotidiana.

Ou seja, ao contrário de muitos, teve a capacidade inverter uma situação negativa e retirar dela as mais-valias possíveis. Por exemplo, quando recebe ordem de execução de uma qualquer tarefa que não lhe agrada particularmente pede a que a ordem seja repetida diversas vezes, alegando que a dor de cabeça lhe reduz a capacidade de compreensão, tantas vezes quantas sejam necessárias a que a tarefa seja dada a outrem.

Esperteza saloia? Talvez.

O certo é que ninguém a trata como "coitadinha" e continua a ser uma pessoa que não inspira sentimentos de "piedadezinha".

Será que no Congresso da Dor em Portugal se deram dicas aos participantes em como beneficiar das dores existentes?

É que sendo os portugueses internacionalmente reputados pela sua capacidade de "desenrascanço" seria lamentável sermos ultrapassados no domínio da "utilização da dor em proveito próprio".

CA

PS1. Com a ressalva de quaisquer tendências sado-maso, tenho um profundo respeito pelas dores alheias e um profundo desagrado perante as minhas.

PS2. Este post nada tem a ver com o recurso a sacos de laranjas ou listas telefónicas para evitar marcas corporais pós-conflito.

A família europeia

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Quando se discute dinheiro, o verniz estala... até nas melhores famílias!
É caso para perguntar: Unidos na diversidade?

JB

Parabéns!

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JB

quarta-feira, junho 15, 2005

blogosilêncio

Nos últimos tempos optei, entre vários outros, por um blogosilêncio.

Não tenho nada para escrever. Só isso. Não me tem apetecido.

Talvez porque Junho se tem revelado um mês de ausências e de despedidas. Ou talvez exactamente pelas razões contrárias.

E quando não apetece não há volta a dar, não é? Esta é daquelas coisas que não se fazem por obrigação.

CA

segunda-feira, junho 13, 2005

Álvaro Cunhal

Eu não morria de amores por ele. Eles, se calhar, também não.
Mas devemos reconhecer o seu papel na longa batalha contra o fascismo e respeitar a sua luta de vida por um ideal, que era o seu. Mesmo que não se identifique com o nosso. E por isso é merecida a homenagem.. Não é por desaparecer que se torna herói, mas também não deve ser tratado por "inimigo", mesmo depois de morto...

JB

porque não é demais

a repetição de posts em sua memória

À Beira de Água

Estive sempre sentado nesta pedra
escutando, por assim dizer, o silêncio.
Ou no lago cair um fiozinho de água.
O lago é o tanque daquela idade
em que não tinha o coração
magoado. (Porque o amor, perdoa dizê-lo,
dói tanto! Todo o amor. Até o nosso,
tão feito de privação.) Estou onde
sempre estive: à beira de ser água.
Envelhecendo no rumor da bica
por onde corre apenas o silêncio.

Eugénio de Andrade
Os Sulcos da Sede

CA

Adeus

Em fim de semana de desaparecimentos de peso, Eugénio de Andrade também nos deixou. Aqui fica uma breve nota de reconhecimento ao meu Poeta de eleição.
JB


Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.

Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.

Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.

Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.

Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.

Adeus.

Eugénio de Andrade

sábado, junho 11, 2005

apelo

Se houver alguém por aí que tenha contactos na RTP, ajude-me!
Expliquem àquelas criaturas que as imagens que servem de base ao anúncio da emissão do "Portugal no Coração" a partir do Luxemburgo, não são desta cidade... muito menos deste país... Expliquem-lhes que são de Estrasburgo, que é mais para a região da Alsácia enfim... mais para França!!
Muito agradecida.
JB

sexta-feira, junho 10, 2005

Non me pregunten

Tengo el corazón pesado
con tantas cosas que conozco,
es como si llevara piedras
desmesuradas en un saco,
o la lluvia hubiera caído,
sin descansar, en mi memoria.

No me pregunten por aquello.
No sé de lo que están hablando.
No supe yo lo que pasó.

Los otros tampoco sabían
y así anduve de niebla en niebla
pensando que nada pasaba,
buscando frutas en las calles,
pensamientos en las praderas
y el resultado es el siguiente:
que todos tenían razón
y yo dormía mientras tanto.
Por eso agreguen a mi pecho
no sólo piedras sino sombra,
no sólo sombra sino sangre.

Así son las cosa, muchacho,
y así también no son las cosas,
porque, a pesar de todo, vivo,
y mi salud es excelente,
me crecen el alma y las uñas,
ando por las peluquerías,
voy y vengo de las fronteras,
reclamo y marco posiciones,
pero si quieren saber más
se confunden mis derroteros
y si oyen ladrar la tristeza
cerca de mi casa, es mentira:
el tiempo claro es el amor,
el tiempo perdido es el llanto.

Así, pues, de lo que recuerdo
y de lo que no tengo memoria,
de lo que sé y de lo que supe,
de lo que perdí en el camino
entre tantas cosas perdidas,
de los muertos que no me oyeron
y que tal vez quisieron verme,
mejor no me pregunten nada:
toquen aquí, sobre el chaleco,
y verán cómo me palpita
un saco de piedras oscuras.

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JB

quarta-feira, junho 08, 2005

Um encontro fatal ?

O carril do eléctrico com a roda de uma bicicleta.

JB

terça-feira, junho 07, 2005

Verano Azul

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À procura destes companheiros, tropecei na Pipi das Meias Altas (versão Pipi Calzaslargas), no Marco, no Tom Sawyer, na Maya ... e, claro, no Verão Azul. Que giro!!!
JB

renovação

Quero que me cantes uma canção de embalar. Quero que me envolvas num longo abraço. Quero que me digas que o tempo não passou.

É difícil dizer adeus duas vezes.
É difícil dizer adeus duas vezes no mesmo dia.

Canta-me uma canção de embalar e abraça-me. Diz-me que o tempo parou.

Diz-me que o tempo parou e explica-me a tristeza que sinto com esta vida que se renova, duas vezes, no mesmo dia.

CA

quinta-feira, junho 02, 2005

Profundo!

"No espectáculo da vida descobri que, a arte imita a Natureza, e que, na vida do espectáculo, a Natureza imita a vida. Já passei os meus primeiros 50 anos e agora sou ageless. Cultivo o trompe l'oeil e considero-me santa. Procuro utopias. Elimino o nunca e o sempre.Preciso de alegria e acelero em frente sem retrovisor. Reforço com lições e concluo que teria sido melhor se tivesse sabido o que esperavam de mim. E continuo. Para ter felicidade é preciso produzi-la e acrescentar qualquer coisa à vida. E transforma-se a realidade. Sobe-se a escada até onde se queria chegar. Páro e pouso para a fotografia. "
Paula Bobone, regente do curso de etiqueta e imagem pessoal

JB

Ainda temos país?...

Títulos da página Portugal na edição electrónica do CM de hoje:
  • Gang com metralhadoras leva Multibanco
  • Cinco tiros para roubar mecânico
  • Taxista degolado
  • Ao puxar o saco caiu-me a perna em cima
  • Facadas e assaltos aterrorizam estudantes
  • Virose leva oitenta crianças à Urgência

JB

máxima da lavandaria

entre ter uma nódoa e ser uma nódoa o melhor mesmo é evitar o traumatismo craniano

CA

facilidades

Tinha tendência a imaginar problemas com os quais sofria por antecipação. O estômago era frágil e, dia sim dia não, era propenso ao vómito e a outras maleitas associadas.

Achava que não era possível que qualquer evolução positiva acontecesse sem esforços hercúleos. E mesmo assim duvidava.

A sua vida era o cabo das tormentas. A dos outros o adamastor.
Não tinha capacidade de sonhar porque receava os pesadelos.

Tomou prozac e por isso jogou no totoloto. Não reclamou o 1º prémio porque achou que era engano.

Por cobardia não tentou o suicídio e acabou por morrer de ataque cardíaco quando o funcionário da repartição de finanças lhe garantiu que ia receber reembolso do IRS.

CA

urgência

De vez em quando tinha medo. Tinha medo de se tornar numa daquelas pessoas que falam sozinhas nos autocarros ou nas ruas. Mas não por ter medo do rídiculo nem da censura pública. Tinha medo da urgência das palavras que queria dizer. Tinha medo da falta de interlocutor, tal era a urgência das palavras.

Um dia pintou o cabelo de azul. Como não gostava da Vanda Stuart resolveu pintar também a cara, de amarelo. Sempre tinha gostado dos Simpsons.

Gostava mesmo muito de pintar.

Mas a sua pintura não tinha palavras. E as palavras eram urgentes. E ninguém reconhece urgência em quem tem o cabelo azul e a cara amarela.

Concentrou-se então apenas nas palavras. Mediu-lhes a métrica, uma a uma. Separou as sílabas, misturou-as. Baralhou-as e ouviu o som das palavras. O som das palavras fazia estremecer o cabelo azul. Voltou a baralhar as palavras e compreendeu, finalmente, que já não tinha nada para dizer.

CA

quarta-feira, junho 01, 2005

Música mirabilis

Talvez a ternura
crepite no pulso,
talvez o vento
súbito se levante,
talvez a palavra
atinja o seu cume,
talvez um segredo
chegue ainda a tempo

- e desperte o lume.
Eugénio de Andrade

JB

E no dia mundial da criança...

O CDS-PP propôs hoje a criação de um "dia mundial da criança por nascer" com o objectivo de sensibilizar a opinião pública para a necessidade de o Estado dar protecção legal à "vida humana e intra-uterina"
Agência Lusa

Porque não o dia mundial do feto? Ou o dia mundial do embrião? Ou o dia mundial do feto e do embrião, já que este último passa a chamar-se feto quando atinge as oito semanas de desenvolvimento? É que a expressão "criança por nascer" não soa nada bem, senhores!

JB

on-line