sábado, dezembro 31, 2005

2006 from the US



Que 2006 seja melhor que 2005...

TS

quarta-feira, dezembro 14, 2005

mais um dia infeliz para a história dos EUA

Marcado para morrer
Nuno Pacheco

A execução de Stanley Williams na Califórnia prova, mais uma vez, que o sistema baseado na pena de morte é não apenas injusto como repelente

Soube-se logo de manhã: executaram Stanley Williams. Como n" A Colónia Penal de Kafka, alguém quis provar que a máquina funciona, na sua fria implacabilidade. Sem atentar nos pormenores sórdidos da execução, estava em causa não apenas uma vida (o que é essencial para quem se opõe, em qualquer caso, à pena de morte) mas também uma lógica. Que homem morreu, na madrugada de ontem? O violento Stanley que aos 17 anos criou um temível gang de marginais em Los Angeles, os Crips? O condenado à pena máxima em 1981, acusado de ter morto a tiro quatro pessoas? O militante pacifista que em 1996 denunciou, em vários livros dirigidos aos estudantes do básico, a violência dos gangs quer outrora ajudou a criar? O autor do livro Life In Prison? O promotor do projecto "para a paz nas ruas", lançado na Internet com jovens de diferentes países? O homem nomeado várias vezes para o Nobel da Paz e pelo menos uma para o Nobel da Literatura? O laureado pelo Presidente dos Estados Unidos pela sua acção cívica?

Quantos homens habitam um homem? Quantos por ele passam, tornando-o diferente, outro, ainda que sob a mesma identidade? Quem dirige, hoje, os destinos da América? O alcoólico displicente dos anos 70? Ou o republicano liberal e religioso dos anos 90? E quem se senta na cadeira da presidência da Comissão Europeia? O maoísta convicto dos anos 70? Ou o social-democrata dos anos 90? O que pesa mais na vida de um homem que ascende a cargos vitais para o seu país ou para o mundo? O seu passado? Ou o seu presente? Nos casos, citados, de Bush Jr. e Durão Barroso, ninguém duvidará: o seu presente. No caso de Stanley, sucedeu o inverso: apesar do caminho percorrido, apesar de uma absoluta (e reconhecida, até pelo Presidente dos EUA) mudança na sua vida e personalidade, o que pesou foi apenas o passado. E por isso o mataram. Dir-se-á: uma coisa são devaneios ou erros de percurso, outra são crimes. Sem dúvida. Mas Stanley terá sido, de facto, o autor material das quatro mortes contabilizadas nos anos 70? As provas, como alertou por diversas vezes a insuspeita Amnistia Internacional, foram produzidas com base "em testemunhos de criminosos que estavam presos ou no corredor da morte pelos mais variados crimes e que beneficiaram de reduções de pena ou foram libertados em troca de testemunhos". Na sordidez de San Quentin, a vida é apenas um negócio passageiro. Não, A Colónia Penal de Kafka não está assim tão longe da Califórnia. Porque a morte, ou melhor, o abate impiedoso de Stanley Williams serviu apenas para provar que a máquina funciona e é cega para sobreviver. Assim como sobreviveram os que, à custa da morte de Stanley, salvaram a própria pele. O mais absurdo, ainda, é o facto de um homem passar 24 anos atrás das grades, ser modificado por elas, alterar por completo o seu comportamento e atitude perante o mundo e, no preciso momento em que é louvado e aplaudido, tirarem-lhe a vida por um crime supostamente praticado há quase três décadas. Kafka? Não só: a execução de Stanley prova, mais uma vez, que o sistema baseado na pena de morte é não apenas injusto como repelente. Porque conseguiu o prodígio de poupar um criminoso e, muitos anos depois, matar o homem decente que nele nascera. Para ser abatido em seu lugar.

in jornal "Público"

JB

domingo, dezembro 11, 2005

Joyeux Noël

Desde que ouvi falar na realização do filme que decidi que o queria ver. Era apenas uma questão de aparecer nas salas de cinema. Mas o tempo foi passando e havia sempre uma razão para adiar. Até que hoje, sem mais desculpas, fui ver o filme que já sabia muito comovente. Acima de tudo, por ser uma história verdadeira. E não me desiludi. O filme é espantoso!

Image hosted by Photobucket.com

Aquela noite de Natal de 1914 pode não dizer nada à maioria das pessoas mas ficou nos anais da história como o dia em que os homens das trincheiras – franceses, alemães e britânicos – baixaram as armas, cantaram, beberam e rezaram juntos na “no man’s land” e, no dia seguinte, fizeram troca de mortos em combate para lhes permitir um enterro digno. Na hora prevista pela artilharia alemã para o ataque às posições francesas e britânicas, estes são convidados a refugiar-se nas trincheiras inimigas pelos soldados alemães, conhecidos na véspera.

Foram todos punidos, pelos respectivos exércitos, mas deixaram-nos com este seu gesto um testemunho de humanismo e fraternidade. A não perder.

JB

quarta-feira, dezembro 07, 2005

Vaya con Dios

Image hosted by Photobucket.com

É bom constatar que a idade passa mas a magia da música e a voz de Dani Klein continuam intactas. Um concerto excelente!

JB

sexta-feira, dezembro 02, 2005

Delors

Image hosted by Photobucket.com

Depois de assistir a uma conferência de Jacques Delors só se pode ter saudades dos tempos em que a Comissão tinha, de facto, uma liderança forte e uma visão da construção europeia. Hoje a Europa é como um ciclista que já deixou de andar e que hesita entre recomeçar a pedalar ou deixar-se cair. Titubeia e titubeando, perde força, perde tempo, e deixa-nos cada vez mais preocupados com os tempos que aí vêm. Aos problemas fundamentais que nos afectam só uma resposta europeia trará soluções sérias e eficazes. Quem não percebeu isto, não percebeu nada.

TS

on-line