No tempo em que quase toda a gente se conhecia na Academia, em que não se falava de prescrições, as propinas eram a sete e coroa, o ponto de encontro era o Académico e a noite acabava na Via latina, o Poeta era uma das figuras mais simpáticas de Coimbra;
Estudante de Economia e fanfarrão por excelência, tinha uma notável queda para as letras. Mas havia um problema. Não era o ser boémio, que isso até é uma virtude. Era o não gostar de contas. E por lá andou a enrolar cadeiras e idas esporádicas à Faculdade. Até que decidiu mudar de curso.
Este fim de semana, fui assistir à cerimónia do Juramento de Hipócrates da minha prima preferida (e única!) e, qual não é o meu espanto, quando vejo o Poeta ser chamado ao palco para receber do Bastonário da Ordem dos Médicos a sua cédula profissional.
O Poeta de outros tempos, estava agora ali, cheio de orgulho a receber o passaporte para embarcar na sua vocação. Confesso que senti uma enorme satisfação em presenciar este momento tão importante para o amigo de outros campeonatos.
JB